Na Aparição em Fátima, no dia 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora pediu a reparação pelos pecados cometidos contra o seu Imaculado Coração. Em 10 de Dezembro de 1925, a Virgem Imaculada apareceu à Irmã Lúcia, em Pontevedra, na Espanha, e disse: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a sagrada comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar.

Para entender por que se deve desagravar o Coração de Maria, é preciso entender que a gravidade de uma ofensa é proporcional à dignidade da pessoa que se ofende. Certos pecados são considerados muito mais graves, pois atingem pessoas que nos amam de forma especial e às quais devemos, portanto, uma honra maior. É o caso dos pecados cometidos contra os pais, que são proibidos pelo quarto mandamento: “Honrar pai e mãe”.

Se é grande a dignidade dos nossos pais terrestres, quanto maior é a dignidade da Virgem Maria, nossa Mãe celeste! Santo Tomás de Aquino chega a dizer que, bem “a beata Virgem, por ser a Mãe de Deus, tem uma certa dignidade infinita, proveniente do bem infinito, que é Deus”. É assim porque Maria Santíssima está em uma ordem diferente daquela em que estão todas as outras criaturas. Nós, se na amizade com Deus, estamos na ordem da graça; os santos e os anjos estão na ordem da glória; a Virgem Maria, no entanto, está no mistério da “união hipostática”: tendo gerado a humanidade de Nosso Senhor, que é Deus, com razão ela é chamada Mãe de Deus, “habent quandam dignitatem infinitam – dignidade de certo modo infinita”. Por isso, quando se ofende a Nossa Senhora, cria-se uma imensa desordem no mundo, porque se deixa de reconhecer as maravilhas que Deus fez em Si.

São cinco sábados desta devoção porque são também cinco as principais ofensas cometidas contra a dignidade de Nossa Senhora: primeiro, as cometidas contra a Sua Imaculada Conceição; segundo, as contra a Sua virgindade; terceiro, as contra a Sua maternidade divina; quarto, as ofensas de quem ensina crianças a desprezarem e terem ódio da Virgem; e, quinto, as ofensas feitas a ícones de Nossa Senhora.

Para reparar essas ofensas – que atingem a dignidade de certo modo infinita de Maria e a própria majestade de Deus –, no entanto, é necessária a ajuda divina. Por isso Nossa Senhora aparece à irmã Lúcia e lhe indica o que os homens devem fazer para desagravar o Seu Coração: 1) Confessar 2) Rezar o Terço ou Rosário 3) Meditar 4) Sagrada Comunhão (missa).

– Confessamos os pecados para estarmos aptos a participar do banquete Eucarístico.

Contudo, aqueles que não conseguirem se confessar, o poderão fazer até 8 dias , por intercessão da Irmã Lúcia que “Apresentou a Jesus a dificuldade que tinham algumas almas em se confessar ao sábado e pediu para ser válida a confissão de 8 dias. Jesus respondeu:

– Sim, pode ser de muitos mais ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e que tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.”

Ela perguntou:

– Meu Jesus, as que se esquecerem de formar essa intenção ?

Jesus respondeu:

– Podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a 1.ª ocasião que tiverem de se confessar.”

2 – O Terço: a tradicional oração mariana do Terço também faz parte da devoção dos cinco primeiros sábados, que deve ser rezado na intenção da reparação do Imaculado Coração de Maria.

3 – Os 15 minutos de meditação sobre os mistérios do Rosário: Nossa Senhora pediu que fizéssemos companhia a ela durante pelo menos 15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do Rosário, em espírito de reparação ao seu Imaculado Coração. Não precisamos meditar todo primeiro sábado sobre todos os 15 mistérios. Podemos meditar apenas um, dois, três ou mais mistérios, conforme a nossa escolha pessoal. Também é possível meditar os mistérios do Rosário conforme o Tempo Litúrgico. Por exemplo: no Tempo do Advento, podemos meditar os Mistérios Gozosos; no Tempo da Quaresma, os Mistérios Dolorosos; no Tempo Pascal, os Mistérios Gloriosos; no Tempo Comum, podemos meditar aqueles Mistérios que mais dizem respeito à Liturgia do dia.

4 – A comunhão: é o ato essencial desta devoção reparadora. Para compreender bem a sua importância, recordemos a devoção da comunhão das nove primeiras sextas-feiras, em reparação das ofensas contra o Sagrado Coração de Jesus, e a comunhão milagrosa dada aos três Pastorinhos de Fátima, pelo Anjo da Guarda de Portugal, no outono de 1916, de caráter eminentemente reparador, que evidencia-se na oração, repetida seis vezes, três vezes antes e três vezes depois da comunhão: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”.

Nessas quatro práticas da devoção dos cinco primeiros sábados, a intenção reparadora é muito importante, especialmente na comunhão, porque as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria também ofendem gravemente o Sacratíssimo Coração de Jesus.

A Virgem Santíssima pede à humanidade este ato de desagravo pois sabe o mal que é causado no mundo quando se ofende o Seu Imaculado Coração. Tem consciência, ao mesmo tempo, do imenso bem que recebem as almas que prestam a devida veneração a Si, de tal modo que, assim como o quarto mandamento é acompanhado da promessa de longevidade – “Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus”  –, a honra à Mãe de Deus, muito mais que a prosperidade terrena, alcança a salvação eterna.